Sem Rótulos

Não faz tanto tempo que li um texto da Tati Bernardi chamado “O Amor Chega em Uma hora” e senti na pele a agonia daquele momento, revivi cada segundo daquelas palavras na minha cabeça em cada uma das relações que já vivi. Vi-me em cada uma delas. Na agonia, na ansiedade e principalmente na indecisão.

E agora me vejo nessa mesma situação. Ele vai chegar em uma hora. É ele vai. Ou pelo menos diz que sim. Mas o que me aflige é que não sei ainda quem é ele, amigo, colega, ficante, um passa tempo, minha companhia em dias de jogos de futebol ou um futuro amor. Mas pra que a pressa? E eu? Quero ser o que? Ainda não defini em qual fase da vida estou se quero mudar de rumo ou simplesmente continuar vivendo. Não podemos manter as coisas exatamente como são? Ele aqui na minha vida e eu na dele, sem rótulos.

Quando ele some, mesmo que seja por um segundo, se eu fico chateada? Fico sim, só que o que o tempo curto que essa chateação dura, se perde com o dobro da intensidade na minha cabeça acompanhado daquele velho pensamento: Será que não foi melhor mesmo ele sumir? Vai que… Vai que se ele tivesse aparecido as coisas não estariam como estão hoje. Vai que se ele tivesse aparecido aquele dia ou naquele outro, hoje eu não estaria com essa ansiedade e contanto os minutos para ele chegar. É… E agora só faltam 45 minutos.

Meu Deus, mais 45 minutos e ai por mais 10 horas ele é meu, só meu e de mais ninguém. Até o dia amanhecer. O que falar nesse tempo? Quer dizer, no tempo que sobrar para falar. Comentar que sumiu aquele dia? E que às vezes tenho vontade de sumir também? Pensar no futuro, ou simplesmente deixar tudo como está? Sem rótulos.

Agora 40… Não da para cozinhar para ele, isso é romântico demais. Até peguei um vinho na hoje no mercado, mas não, larguei lá mesmo, pois em pleno Dia dos Namorados, mesmo que você não vá cozinhar oferecer um vinho já é romântico demais. E então? Foi uma lasanha mesmo, dessas de microondas e se quiser beber a opção vai ser cerveja, nada romântico. Ou água, cada um com o seu gosto. E ele que não desconfie que eu pensei em tudo isso antes de comprar a tal lasanha.

Não tinha comentado que hoje era Dia dos Namorados? Ah me desculpe. Deixa-me ver a hora… Tenho 30 minutos. É então, hoje é 12 de Junho, e, por favor, não seja mais uma das pessoas que hoje me disse “Hummm, se ele vai te ver hoje é porque estão namorando”. Não, não estamos. Bem longe disso por sinal. Não podemos simplesmente nos ver, matar a saudade e agir como uma 3ª feira normal? Ora! Sem rótulos, por favor. Só quero ver a novela com alguém que não vai deixar meus pés esfriarem essa noite.

Namorados andam de mãos dadas na rua, namorados saem com os amigos em comum, namorados são namorados, não tem o que dizer. E tem outra, eu não quero. Não agora, não até eu saber, até ter a certeza do que quero. Até porque meu coração já não agüenta mais. Mas é gostoso assim, você pode não entender, mas é tão bom quanto um namorado, porém sem a parte da obrigação. Sem rótulos.

Some, mas quando eu sumo fica desesperado atrás de mim, ligando de 5 em 5 minutos, e eu como uma boba boa mulher sempre apareço e tudo fica bem novamente. É bom isso, saber que a pessoa também se desespera, nem se for por um minuto por sua causa. Fala a verdade? Surta, diz que está confuso, e eu respondo a altura dizendo “estou confusa também” e pra que a pressa? Vamos deixar tudo como está! Sem rótulos.

20 MINUTOS E UM PENSAMENTO.

Já perceberam que amor é igual a tristeza? Você sempre diz que nunca amou daquele jeito. Algo como, “já amei tantas vezes, mas nunca assim, deste jeito”. Igual a tristeza e o velho “eu nunca fiquei tão triste assim”. Mas no fundo o que muda é a pessoa por quem você se apaixona e não necessariamente a intensidade do amor. Ou no caso da tristeza, quem te fez sofrer.

Como não pretendo repetir essas frases tão cedo, prefiro ficar assim, deste jeito. Amando o que está por vir, amando a possibilidade de encher meu peito de felicidade toda vez que ele entra pela porta, qualquer porta, não necessariamente a daqui de casa e amando a possibilidade de cada vez que ele vai embora eu poder seguir minha vida, mesmo sem ele por perto. Sem me machucar, sem cobrar e sem pedir nada.

10 minutos e um SMS “Estou chegando”. Aquela última arrumada no cabelo, um blush levinho, um perfume suave e aquele frio na barriga. O frio da barriga de ter alguém sem precisar rotular, só viver.

5 minutos e… Tchau, vou abrir a porta da minha outra vida.

 

Ser amigo é…

Como nasce, onde vive e do que se alimenta a amizade? Não, você não vai descobrir isso nessa sexta, no Globo Repórter. Talvez você (nem eu) descubra nunca respostas realmente verdadeiras para questões tão complexas. Mas o fato de algo ser difícil, quase impossível de ser definido, não é e nunca foi empecilho para eu refletir sobre.

Vou ser polêmica, mas vamos lá: quem nunca se envolveu em uma confusão com uma amiga e colaborou para que o circo pegasse fogo que atire a primeira pedra. Infelizmente é natural do ser hurmano gostar de ver o circo pegar fogo. Acha que está impune? Então diz ai: você nunca encontrou o ex da sua amiga na balada e não correu para contar? Sempre me pergunto qual é a maneira correta de agir. Contar que o cara que ela ainda morre por é filho da puta e dar todos os detalhes de como ele estava dançando grudada na loira periguete, sim ou não? À primeira vista, a resposta é: se sou amiga, tenho que contar sim. Será?

Cinco meses atrás eu responderia sem dúvida nenhuma que sim. Hoje, não sei. Será que alguém que está sofrendo porque perdeu alguém que amava merece sofrer mais ainda com esses detalhes? Não acho. E acho que parte do processo de ser amigo de verdade é saber dosar esses choques de realidade. Exemplifico o que quero dizer: há alguns meses, uma conhecida minha se separou do namorado de 9 anos. Ele terminou sem dar grandes explicações, apenas que queria terminar porque estava confuso. O tempo passou. Essa minha conhecida chorou, sofreu, mas começou a se recuperar. Foi viajar no carnaval, conheceu um cara legal, começou a sair com ele. A menina estava feliz.

Eis que, quando uns 5 meses se passaram desde a separação, uma amiga dessa minha conhecida descobriu pelo Facebook que o ex da menina namorava outra garota há dois anos (ou seja, ele tinha duas namoradas ao mesmo tempo). O que a garota fez? Pegou o Facebook da outra namorada do cara e foi mostrar para a menina. Resultado: cinco meses de esforço para esquecer o ex jogados no lixo. A menina teve uma recaída, voltou a chorar diariamente e acabou terminando com o cara que estava saindo.

Eu pergunto: a amiga que foi fuçar a vida do ex e mostrar que o cara tinha outra foi amiga mesmo? Eu lá tenho minhas dúvidas. Se alguma amiga minha é enganada, minha reação sempre é tentar alertar de alguma maneira. Só que acho que há casos em que as pessoas dão esses alertas mais por quererem ver o circo pegar fogo que por amizade mesmo. A menina já estava bem, superando o fim do relacionamento e teve uma recaída desnecessária por conta da “amizade” da outra. Será que uma pessoa que já tinha sofrido tanto para superar o relacionamento acabado merecia passar por isso novamente?

Sinceramente, eu não teria nunca agido como a garota. E acho que quem fica alimentando intrigas se dizendo “amiga” é um grande de um FDP. Por quê? Porque eu acho que um amigo é, antes de tudo, alguém que quer seu bem. Que quer te ver feliz. Não que eu ache que amigo tem que esconder as dificuldades da vida. Só acho que algumas verdades muitas vezes não precisam ser ditas. Se você está tentando esquecer alguém e aquela amiga não para de falar da pessoa, é muito provável que ela esteja pensando em tudo, menos na sua felicidade.

Ser amigo, para mim, é ter bom senso. E acho que, algumas vezes, na ânsia de sermos verdadeiros, esquecemos deste detalhe fundamental nas relações humanas.

Você mudou – e você esperava o que?

Sabe quando você começa a namorar e alguém vem e diz:

 “Nossa, como você mudou, está diferente, não faz mais isso (ou aquilo) por causa do (a) namorado (a), é?”

Nunca entendi esse tipo de pergunta. O que as pessoas esperam? Que a pessoa comece a namorar e continue se comportando como se estivesse solteira? Quando alguém está solteira, está sozinha. Logo, o nariz dela pertence somente a ela e mais ninguém. Pessoas solteiras fazem o que querem, na hora que desejam. Esse”fazer”, normalmente, inclui coisas como:

– Sair para beber;

– Encher a cara;

– Beijar pessoas aleatoriamente;

– Ir em festas onde não conhece ninguém, só porque um amigo descolou um convite;

– Topar convites para fazercoisas em horários fora do padrão;

– Ou não fazer nada disso por vontade própria.

Ai, você está lá, solteira, na sua rotina de sair, etc, sem hora para chegar em casa e sem dar satisfações a ninguém. Até que um dia, nas muitas saídas, você encontra sua alma gêmea. Começam a ficar, sair, namoram. E, obviamente, não estando mais solteira e sim namorando, sua rotina muda. E muda porque você não está mais sozinha. Tem companhia, alguém para dividir as dores e delícias da vida.

Mas, aparentemente, sempre tem aquele ser humano sem noção nenhuma que continua #foreveralone e vem com a fase que postei lá em cima. “Ah, você não é mais a mesma”, “ah, você não vai àquela super festa com tudo liberado porque não é mais minha amiga”, “ah, você prefere seu namorado a sair comigo”. Cazzo, será que isso não é exatamente o que se espera de alguém namorando? Vejamos bem. Do que reclamam os solteiros? De falta de companhia, de alguém que faça a gente feliz, da vida de baladas e porres e bocas estranhas. Por que cazzo então alguém iria continuar com um comportamento de solteiro após estar namorado?

Namoro pressupõe outra vida pelo caráter duplo da relação. É você e outra pessoa. É absolutamente normal que os programas mudem, que as preferências sejam outras. Aquela festa open bar fica menos interessante do que um jantarzinho naquele restaurante romântico, ou um cineminha. Tá frio? É mais gostoso ficar em casa do que ir à inauguração da balada do momento. Ou não, porque o casal é baladeiro. Mas é absolutamente normal e esperado que você passe mais tempo com seu namorado do que com seus amigos de balada, oras. Aliás, é anormal que você continue indo para a balada com sua turma e largue o namorado em casa. Ou melhor, não é só anormal: é falta de respeito com a pessoa que você está.

Então, por que tanta gente ainda acha isso anormal e fala em tom pejorativo? Meus palpites:

– Falta de noção;

– Inveja;

– Egoísmo (a pessoa está pensando só no nariz dela);

– Falsidade.

 

Explico porque aposto nesses itens ai. Se a pessoa é realmente sua amiga, ela vai entender o momento que você está vivendo e ficar feliz por você estar com alguém que te faz bem. Uma amiga pode sentir falta da sua companhia na balada. Mas ela sabe que pode pegar o telefone, o facebook, o msn, o whatsapp ou qualquer outro meio de comunicação e falar com você. Seja num momento de alegria, tristeza ou ócio.

Portanto, anote: uma pessoa que realmente gosta de você jamais falará uma merda dessas. O que me faz concluir: quem reclama que você “mudou” por estar namorando é gente que:

1) não tem noção: porque se a pessoa gosta de você e acha isso, precisa de um psicólogo para entender o que é amizade;

2) tem inveja. Ela não tem namorado e você tem. Logo, ela fala isso na esperança que você deixe de ter um e se iguale a ela;

3) Egoísmo: a pessoa fala isso porque está sentindo falta da amiga e foda-se a felicidade da outra pessoa, o que importa é o nariz dela que, no momento, quer a companheira de balada de volta;

4) falsidade: a pessoa nunca foi sua amiga e só saia com você porque você representava algo que interessava à ela. Grana, entrada vip, amigos interessantes. Como ela perdeu a boquinha, ser acha no direito de infernizar e fazer com que a outra pessoa volte a ser solteira para que ela retome o pote de ouro.

Ou, ainda, a pessoa pode ser tudo isso ou ter duas ou mais dessas características. Em qualquer caso, eu recomendo: CORRÃO. Esse tipo de pessoa não vale seu carinho, sua dedicação, sua amizade. Quem gosta de você de verdade, vai ficar feliz por você, mesmo que vocês fiquem seis meses sem se ver pessoalmente. Se a pessoa acha que a sua felicidade é um problema, elimine-a da sua vida e deixe que isso seja um problema dela.

 

UPDATE: Quero deixar claro que não endosso e não acho legal gente que começa a namorar e SOME. Não estamos falando, aqui, daquelas pessoas que só faltam virar a cara para você porque estão namorando e, quando tomam um pé, correm para perto da amiga. E sim, do comportamento normal de alguém que deixa de ser solteira e passa a namorar e, em consequência disso, vê os amigos com uma frequência diferente de anteriormente.