Aniversários via Facebook

Aniversários via Facebook

Não é a primeira vez que vejo pessoas montando eventos de aniversário no Facebook, chamando 300 pessoas e depois reclamando que “apenas” 10 compareceram. Sem contar as inúmeras indiretas postadas como tiros para os convidados que não foram. O pior é que em 99% dos casos me sinto inclusa nessas indiretas, pois quase nunca compareço e assumo isso.

Isso me fez pensar. Faço aniversário em Janeiro, mais precisamente no dia 4, para quem não sabe o que é isso, no meu caso, são 27 anos de aniversários sem festa garantida, sem amigos por perto,  justamente por estar em período de férias, logo após o ano novo, logo após as festas e todos geralmente estão viajando ou distantes por algum motivo, até mesmo os meus familiares. Sem contar que no começo de Janeiro muitas das baladas estão fechadas o que diminui ainda mais as possibilidades de festas. Se eu fosse colocar no papel todas as pessoas que não compareceram em algumas dessas minhas tentativas de comemoração, e excluísse elas da minha vida (por este motivo banal) eu provavelmente teria hoje no máximo uns 3 amigos por perto. Este ano por exemplo, comemorei longe de todos, pois eu mesma viajei, porém tive o prazer de ter uma festa preparada pelo meu namorado junto com o que parece que será a minha mais nova família e com a presença de um casal de amigos muito queridos que me fizeram a surpresa de aparecer por lá. Sem palavras por essa atitude, não só pelo amor depositado em mim vindo de todos eles, mas também porque realmente não estou acostumada com isso.

Para encurtar o desabafo, não consigo entender como certas pessoas medem a amizade dos outros por comparecimento, ainda mais com eventos criados via Facebook. Me desculpem, mas não me sinto lisonjeada por ser convidada para um aniversário com 300 convidados em um bar ou em uma balada. Esse tipo de convite, por mais amigo que seja, me deixa a abertura de optar por qualquer outro programa.

O que aconteceu com o bom e velho telefone? Pessoas que fazem questão da sua presença, se esforçam para que você compareça. E por outro lado, comparecer ou não a uma festa, não faz de você mais ou menos amigo. Cansei de negar convites desses eventos, sem precisar me justificar, mas isso não me faz gostar menos da pessoa.

Você já parou para pensar que ninguém tem a obrigação de aceitar um convite? Você pode simplesmente não querer ir e pronto. Não entendo o grande drama disso tudo.

Me intriga o fato de hoje um convite direcionado a 100 ou 200 convidados e todos eles serem considerados “amigos” a ponto de terem que aguentar indiretas pós evento caso não compareçam. Realmente o mundo está ao contrário. Ainda acredito naquela velha frase que diz: “ meus amigos eu conto nos dedos.” E no meu caso se encher as duas mãos é muita coisa.

Amigo quando é verdadeiro vai te dar o ombro, a mão e o braço inteiro se você precisar, independente de convites e festas. Tenho amigos que não vejo todos os dias, não encontro todo o final de semana e muito menos falo diariamente. Porém, sei que estou segura justamente pelo fato deles existirem, deles estarem lá para quando eu precisar.

Acho o Facebook uma ferramenta incrivelmente ótima em todos os sentidos, o tipo de coisa que hoje não vivo mais sem. Mas as pessoas precisam aprender a ponderar, ponderar muito o que andam julgando por ai. Prefiro passar o dia com um ou dois amigos, somente falar no telefone ou até mesmo permanecer em pensamento, do que cobrar a presença de 200 pessoas num lugar que serei uma só.

 

P.S.: Só para constar, antes que me processem (hahaha) isto não aconteceu comigo recentemente e não se trata de nenhuma indireta. Escrevi depois de uma história que ouvi por ai e acompanhei. E só.

Ser amigo é…

Como nasce, onde vive e do que se alimenta a amizade? Não, você não vai descobrir isso nessa sexta, no Globo Repórter. Talvez você (nem eu) descubra nunca respostas realmente verdadeiras para questões tão complexas. Mas o fato de algo ser difícil, quase impossível de ser definido, não é e nunca foi empecilho para eu refletir sobre.

Vou ser polêmica, mas vamos lá: quem nunca se envolveu em uma confusão com uma amiga e colaborou para que o circo pegasse fogo que atire a primeira pedra. Infelizmente é natural do ser hurmano gostar de ver o circo pegar fogo. Acha que está impune? Então diz ai: você nunca encontrou o ex da sua amiga na balada e não correu para contar? Sempre me pergunto qual é a maneira correta de agir. Contar que o cara que ela ainda morre por é filho da puta e dar todos os detalhes de como ele estava dançando grudada na loira periguete, sim ou não? À primeira vista, a resposta é: se sou amiga, tenho que contar sim. Será?

Cinco meses atrás eu responderia sem dúvida nenhuma que sim. Hoje, não sei. Será que alguém que está sofrendo porque perdeu alguém que amava merece sofrer mais ainda com esses detalhes? Não acho. E acho que parte do processo de ser amigo de verdade é saber dosar esses choques de realidade. Exemplifico o que quero dizer: há alguns meses, uma conhecida minha se separou do namorado de 9 anos. Ele terminou sem dar grandes explicações, apenas que queria terminar porque estava confuso. O tempo passou. Essa minha conhecida chorou, sofreu, mas começou a se recuperar. Foi viajar no carnaval, conheceu um cara legal, começou a sair com ele. A menina estava feliz.

Eis que, quando uns 5 meses se passaram desde a separação, uma amiga dessa minha conhecida descobriu pelo Facebook que o ex da menina namorava outra garota há dois anos (ou seja, ele tinha duas namoradas ao mesmo tempo). O que a garota fez? Pegou o Facebook da outra namorada do cara e foi mostrar para a menina. Resultado: cinco meses de esforço para esquecer o ex jogados no lixo. A menina teve uma recaída, voltou a chorar diariamente e acabou terminando com o cara que estava saindo.

Eu pergunto: a amiga que foi fuçar a vida do ex e mostrar que o cara tinha outra foi amiga mesmo? Eu lá tenho minhas dúvidas. Se alguma amiga minha é enganada, minha reação sempre é tentar alertar de alguma maneira. Só que acho que há casos em que as pessoas dão esses alertas mais por quererem ver o circo pegar fogo que por amizade mesmo. A menina já estava bem, superando o fim do relacionamento e teve uma recaída desnecessária por conta da “amizade” da outra. Será que uma pessoa que já tinha sofrido tanto para superar o relacionamento acabado merecia passar por isso novamente?

Sinceramente, eu não teria nunca agido como a garota. E acho que quem fica alimentando intrigas se dizendo “amiga” é um grande de um FDP. Por quê? Porque eu acho que um amigo é, antes de tudo, alguém que quer seu bem. Que quer te ver feliz. Não que eu ache que amigo tem que esconder as dificuldades da vida. Só acho que algumas verdades muitas vezes não precisam ser ditas. Se você está tentando esquecer alguém e aquela amiga não para de falar da pessoa, é muito provável que ela esteja pensando em tudo, menos na sua felicidade.

Ser amigo, para mim, é ter bom senso. E acho que, algumas vezes, na ânsia de sermos verdadeiros, esquecemos deste detalhe fundamental nas relações humanas.

Você mudou – e você esperava o que?

Sabe quando você começa a namorar e alguém vem e diz:

 “Nossa, como você mudou, está diferente, não faz mais isso (ou aquilo) por causa do (a) namorado (a), é?”

Nunca entendi esse tipo de pergunta. O que as pessoas esperam? Que a pessoa comece a namorar e continue se comportando como se estivesse solteira? Quando alguém está solteira, está sozinha. Logo, o nariz dela pertence somente a ela e mais ninguém. Pessoas solteiras fazem o que querem, na hora que desejam. Esse”fazer”, normalmente, inclui coisas como:

– Sair para beber;

– Encher a cara;

– Beijar pessoas aleatoriamente;

– Ir em festas onde não conhece ninguém, só porque um amigo descolou um convite;

– Topar convites para fazercoisas em horários fora do padrão;

– Ou não fazer nada disso por vontade própria.

Ai, você está lá, solteira, na sua rotina de sair, etc, sem hora para chegar em casa e sem dar satisfações a ninguém. Até que um dia, nas muitas saídas, você encontra sua alma gêmea. Começam a ficar, sair, namoram. E, obviamente, não estando mais solteira e sim namorando, sua rotina muda. E muda porque você não está mais sozinha. Tem companhia, alguém para dividir as dores e delícias da vida.

Mas, aparentemente, sempre tem aquele ser humano sem noção nenhuma que continua #foreveralone e vem com a fase que postei lá em cima. “Ah, você não é mais a mesma”, “ah, você não vai àquela super festa com tudo liberado porque não é mais minha amiga”, “ah, você prefere seu namorado a sair comigo”. Cazzo, será que isso não é exatamente o que se espera de alguém namorando? Vejamos bem. Do que reclamam os solteiros? De falta de companhia, de alguém que faça a gente feliz, da vida de baladas e porres e bocas estranhas. Por que cazzo então alguém iria continuar com um comportamento de solteiro após estar namorado?

Namoro pressupõe outra vida pelo caráter duplo da relação. É você e outra pessoa. É absolutamente normal que os programas mudem, que as preferências sejam outras. Aquela festa open bar fica menos interessante do que um jantarzinho naquele restaurante romântico, ou um cineminha. Tá frio? É mais gostoso ficar em casa do que ir à inauguração da balada do momento. Ou não, porque o casal é baladeiro. Mas é absolutamente normal e esperado que você passe mais tempo com seu namorado do que com seus amigos de balada, oras. Aliás, é anormal que você continue indo para a balada com sua turma e largue o namorado em casa. Ou melhor, não é só anormal: é falta de respeito com a pessoa que você está.

Então, por que tanta gente ainda acha isso anormal e fala em tom pejorativo? Meus palpites:

– Falta de noção;

– Inveja;

– Egoísmo (a pessoa está pensando só no nariz dela);

– Falsidade.

 

Explico porque aposto nesses itens ai. Se a pessoa é realmente sua amiga, ela vai entender o momento que você está vivendo e ficar feliz por você estar com alguém que te faz bem. Uma amiga pode sentir falta da sua companhia na balada. Mas ela sabe que pode pegar o telefone, o facebook, o msn, o whatsapp ou qualquer outro meio de comunicação e falar com você. Seja num momento de alegria, tristeza ou ócio.

Portanto, anote: uma pessoa que realmente gosta de você jamais falará uma merda dessas. O que me faz concluir: quem reclama que você “mudou” por estar namorando é gente que:

1) não tem noção: porque se a pessoa gosta de você e acha isso, precisa de um psicólogo para entender o que é amizade;

2) tem inveja. Ela não tem namorado e você tem. Logo, ela fala isso na esperança que você deixe de ter um e se iguale a ela;

3) Egoísmo: a pessoa fala isso porque está sentindo falta da amiga e foda-se a felicidade da outra pessoa, o que importa é o nariz dela que, no momento, quer a companheira de balada de volta;

4) falsidade: a pessoa nunca foi sua amiga e só saia com você porque você representava algo que interessava à ela. Grana, entrada vip, amigos interessantes. Como ela perdeu a boquinha, ser acha no direito de infernizar e fazer com que a outra pessoa volte a ser solteira para que ela retome o pote de ouro.

Ou, ainda, a pessoa pode ser tudo isso ou ter duas ou mais dessas características. Em qualquer caso, eu recomendo: CORRÃO. Esse tipo de pessoa não vale seu carinho, sua dedicação, sua amizade. Quem gosta de você de verdade, vai ficar feliz por você, mesmo que vocês fiquem seis meses sem se ver pessoalmente. Se a pessoa acha que a sua felicidade é um problema, elimine-a da sua vida e deixe que isso seja um problema dela.

 

UPDATE: Quero deixar claro que não endosso e não acho legal gente que começa a namorar e SOME. Não estamos falando, aqui, daquelas pessoas que só faltam virar a cara para você porque estão namorando e, quando tomam um pé, correm para perto da amiga. E sim, do comportamento normal de alguém que deixa de ser solteira e passa a namorar e, em consequência disso, vê os amigos com uma frequência diferente de anteriormente.